sábado, 24 de setembro de 2011

Voltando...

Credo! Desde abril que não posto nada em meu Verso e Prosa - a gente quer Poesia... Falta de tempo... muito trabalho (lugar comum...).
Não é por falta de Poesia... essa vem com a inspiração, o momento, o sentir, algo que se vê, uma palavra solta no ar...enfim, ela vem! E não tem hora certa para chegar...simplesmente, vem! E com ela o tempo se faz eterno...

Retorno daqui a pouco... vou ver que poesia postarei nesse reinício...

A aproveito para dizer: escrevem-me... comentem... me brindem com suas poesias...troquemos ternuras...

Beijos.

domingo, 10 de abril de 2011

Uma vez mais...

Me fui...
Mais uma vez,
me fui.

Deixei-te com aquele
teu olhar de sonhos
grudado em mim.

Não olhei para trás...
A furtiva lágrima
não poderia ser
o que te deixaria.

Preferi o sorriso
que gostas
e que terás sempre
como despedida.

Nosso último abraço,
parecia de brinquedo...
Folguedo de paz,
um laço,
uma guirlanda de flores...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Poema sem título...


Chegaste,
de novo,
em meu viver...

Estranho,
sempre nas horas
sem esperanças...

Aquieto-me,
para sorver
o agora e as lembranças...

Que mais te dizer?
Como não sei,
calo-me...

E deixo-te,
mais uma vez,
lágrimas e saudades...

E essa vontade
de te ver...
E te dar um beijo
tão devagar
que beire a eternidade!
.


Poeminha de Amor


Quisera ser um anjo
de longas e violetas asas!

Pousaria, assim, em tua alma...

Aquietaria, assim, teu coração...

Aplacaria, assim, tuas tantas saudades de mim...

Mario Quintana e o Amor


" Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor.
Estão dando corda ao relógio do mundo."


" A amizade é o amor que nunca morre."


" O amor é quando a gente mora um no outro."


" Amar é mudar a alma da casa."



sexta-feira, 11 de março de 2011

Quisera...


Quisera ser um anjo
de longas e violetas asas!

Pousaria, assim, em tua alma...

Aquietaria, assim, teu coração...

Aplacaria, assim,
tuas tantas saudades de mim...

terça-feira, 8 de março de 2011

Das horas do encontro

Eis que aumenta o desafio!
Fio, teia, espaço, cansaço,
diferença, desigualdade,
vela, chama, luz, lua,
ventre, vento, tempestade!
Eis que aumenta o desafio!
Guerreiras, amadas, odiadas,
despachadas, desaforadas, sacudidas,
desvairadas, enlouquecidas.
Eis que aumenta o desafio!
Chega! Deu! Morreu!
Romper amarras,
afiar as garras,
brilhar a alma,
empinar o corpo,
atilar a mente,
romper correntes,
fazer brotar do novo
do ventre do povo
como, dos nossos, brotam vidas,
paridas, alucinadas, maravilhadas.
Não mais sofridas!
Brotam pela esperança do amanhã,
moldado, forjado, transmutado.
Do amanhã de luas e sóis
entrelaçados,
respeitados na diferença,
igualados na crença,
na certeza, na afirmação e na beleza
de desmontar a opressão,
de ser mente e coração,
em unidade,
voando pra Liberdade!

Publicado em "Aprendiz", Feira do Livro de 2009.

Escrito num 8 de março... Agora não sei se do século passado ou deste... Quem sabe, tudo pode ser...Do século XIX???

Ainda valendo...

Neste 8 de março... terça feira de carnaval... beijos feministas, de folia e de luz!!!








sábado, 26 de fevereiro de 2011

Solidão... Saudade...


Nas areias de uma praia qualquer
de meu país
escrevi minha solidão...
Nas ruas, muros e calçadas
de uma cidade qualquer
de meu país
escrevo minha saudade.

A solidão dói.
A saudade, ah, essa constrói!
A solidão não me serve para companheira.
A saudade pode ficar comigo a vida inteira!

A solidão é para quem não tem ousadia.
A saudade, ah, essa é para quem
tem a coragem de morrer
para, depois, renascer.

Renascer para a vida
escrevendo, em areias,
o que, aos poucos, finda.
Mesmo que seja dor ainda...
E, em pedras, o que deva ficar
para fortalecer
toda a beleza
de qualquer bem querer...


Como disse meu camarada e amigo Rafael Simões (Rafa UNE) essa poesia é a cara de todos nós que, muitas vezes, longe dos pagos e de nossas familias, andamos nesse Brasil de nossas vidas nas lutas cotidianas por um novo mundo.

E foi lindamente musicada e interpretada por Marquinho, camarada novo, ainda não conhecido pessoalmente, lá de Palmares, em Pernambuco.

Poesia mundana essa!!! Que bom!!! Se gostamos de escrever, se as palavras, os versos, as prosas, brotam de sentimentos, de vivências, de aprendizados, de convivências, das relações humanas, do amor, que se joguem na vida! Vão para o mundo!!! Sejam interpretadas nos corações e nas musicas por todos que tem a sensibilidade de amar a arte, como se bebessem água da fonte com a concha de suas mãos.







.

Índia Missioneira


Poema que faz parte do CD e da Publicação "Sepé Tiaraju e o Povo Guarani presente na memória do povo".

Projeto 250 anos dos Sete Povos das Missões. Realização da Fundação de Desenvolvimento, Edu-
cação e Pesquisa da Região Celeiro (FUNDEF). Escola Uma Terra para Educar. RS.

Publicado no livro Aprendiz, Feira do Livro de 2009. Porto Alegre.

Este poema é dedicado às mulheres, de todas as tribos do mundo que, lado a lado com seus homens, tecem uma nova sociedade, de iguais, solidária, socialista, honrando a história de nossos guaranis e de todos os nossos ancestrais.


Quem é aquela mulher,
com a cria nas costas andando,
por esses pagos vagando,
anônima mas não vencida
pelas armas e feridas
dos dominadores de então
que, como os de todo o tempo,
vêm impondo a escravidão?

Aquela mulher é Juçara,
amada do índio Sepé,
cujo brado ainda se ouve
nas bandas do Caiboaté.
E, assim como suas iguais,
irmãs de todas as tribos,
conhecedora da dores
trazidas por inimigos.

Irmãs amantes das matas,
da terra e suas flores,
transbordantes de amores
por seus homens guerrilheiros
- bravos e heróicos companheiros -
na busca da liberdade,
a quem quiseram impor
uma injusta sociedade.

Irmãs rebeldes, guerreiras,
em defesa de seu povo,
se quedam em nossa memória,
construindo a trajetória,
na busca de um mundo novo,
liberto de todo o abandono,
onde retumbe o grito
de que "Esta terra tem dono!"

Quem é aquela mulher,
com seu corpo tão pequeno,
de olhos vivos, serenos,
pela estrada vigilante,
levando a luta adiante
pela Paz não alcançada,
tecedeira de sonhos,
no entardecer, na madrugada?

É Juçara, mãe-mulher,
alma libertária,
indígena,
negra, branca,
camponesa,
operária.

A germinar no continente
latino-americano, mestiço
- pleno de luta e feitiço -
como elos de um cordão
nossas crioulas sementes
do forjar de uma Nação.

Fazendo o nosso sonho
realidade se tornar,
pelo legado de lutas,
da experiência missioneira,
no raiar de um novo tempo
nesta pátria brasileira!

Publicação inspirada na ida ao Salto do Iucumã, Parque do Turvo, na cidade de Derrubadas, nas barrancas do Rio Uruguai, no dia 25.02.2011.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Até um dia!


Para César Augusto, que já se foi há tanto tempo, no dia de seu aniversário...

Sonhar...
que a saudade vai chegar
nas mãos estendidas,
no abraço apertado,
no tímido
e promissor beijar...

No encontro a dançar
a Ciranda da Vida...
Nas acolhedoras avenidas
do tanto amar...

Até um dia!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

convite

CONVITE!


ESTE BLOG É PARA QUEM TIVER O DESEJO DE COMPARTILHAR!!!

ESCREVAM SUAS POESIAS, CONTOS, ESCRITOS, COMENTÁRIOS, TROCAS DE CARÍCIAS EM VERSO E PROSA.

ANIMEM-SE A MOSTRAR A SENSIBILIDADE, A POESIA QUE TEM MORADA NA ALMA...
EU FICAREI FELIZ!!!

BEIJOS SOCIALISTAS E DE LUZ! (A MELHOR FORMA QUE ENCONTREI DE DIZER DO MEU AMOR POR VOCÊS E PELA VIDA...

JU

Poeminha


Minha alma é a morada
de tuas saudades.
Meu corpo é o domicílio
de teus desejos.
Meus olhos são o espelho
de tuas vontades.
Minha boca é a pousada
de teus beijos...

E a lua,
em silêncio,
testemunha!
Nesta noite minha
de saudades,
desejos,
vontades
e teus beijos!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia do Amor

Hoje... fiquei sabendo por um dos meus filhos, o Carlos, que me enviou, cedinho, um lindo torpedo, dizendo: te amo!

Lá vai, então, do meu livro Aprendiz (Feira do Livro de Porto Alegre,2009),


ULTIMO POEMA DE AMOR DE UMAS APRENDIZ

Natural, criatura,
é amar...
O resto é especulação!

Natural, criatura,
é a frondosa árvore,
por todo o tempo do mundo,
amar a semente,
a flor, o fruto.
Amar a terra e a água
que lhe permitem a seiva.
Natural, criatura,
é derramar-se em poesia
que vida irradia
que rouba a calma
que espanta e encanta
tocando, de leve,
as partes essenciais da alma.
Natural, criatura,
é deixar fluir
a saudade e suas irmãs,
as lágrimas,
numa noite fria
sem acalanto,
com espanto
por tanto sentir.
Natural, criatura,
é o encontro
naquele porto
não tão seguro,
escuro,
quando não há luar
a clarear o caminho.

Natural, criatura,
é o amor...
O resto é figuração!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Para Floripa!


É novembro
numa ilha encantada...
Mágica Ilha do meu andar!

Fantasias...
Alegrias...
Caminhares...
Ventos em alegorias
pelos chegares...

Olhos de carinho,
mãos amigas de aconchego,
abraços de sossego,
pássaros no ninho...

É novembro
numa ilha encantada...
Mágica Ilha do meu sonhar!

Para Floripa!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Onde foram nos buscar?


Onde foram nos buscar?
Em tempos e não-tempos,
em chegadas não decifradas...

De onde surgimos?
De luas,
de planetas errantes,
de escombros,
de perguntas?
(sem respostas...)

De explosões cósmicas
ou de vulcões em explosão?
De estrelas azuis?
Dos fundos dos rios?
Caímos dos céus?
Saímos dos infernos?

Resultamos de separações continentais?
De mares abertos às passagens de profetas?

Viemos das florestas tropicais
e seus sagrados rituais?

Onde acumulamos sabedoria
sendo menino e menina?

Donde as palavras?
Donde o brincar
brincadeiras nossas,
inventadas, encantadas?

Donde o tanto amar,
sorrir, gargalhar?
Fazer versos
que trocamos como carícias?

Presta atenção
ao que te digo!

Se brincamos
com tanta ternura...
Um dia,
vamos dançar na rua...
Amar na praia,
sob a luz da lua...

Depois,
dobrar a esquina,
na multidão,
como menino-menina.
Espalhando interrogação???
Causando exclamação!!!

Quiçá indignação...

Um fio...


Há um fio...
tênue,
a ligar
a imensidão
do amor!

Há um fio...
de milênios
a espera!
A espera
de nós!

Há um fio...
que percorre o universo,
sob sóis,
luas,
versos e terra nua!

Há um fio...
que contém,
em si,
vontades
e saudades!

Há um fio...
que supera distâncias,
circunstâncias,
não-tempos,
tormentos!

Há um fio...
no cio,
com desejo
de abraço,
de beijo!

Há um fio...
metade um,
outra metade
outro,
em cruz!

Há um fio...
tecido de luz!
Tanta luz,
tamanha luz,
bendita luz!


AINDA FERNANDO PESSOA


AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

PALAVRAS DE PÓRTICO, Fernando Pessoa


NAVEGADORES ANTIGOS tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso."
Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


POESIA DE TODOS OS TEMPOS
FERNANDO PESSOA - O EU PROFUNDO E OS OUTROS EUS.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Poesia


Hoje eu queria
escrever-te uma poesia
bem pequenina...

Uma só palavra...
Sem rima, sem métrica,
sem sutilezas
e, tampouco,
tristezas...

Quem sabe
um poeminha da alegria...
Mas é de saudade
minha poesia...

Só Vinicius...


O Poeta e a Lua

Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esferas nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabe o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de volúpia.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos que o mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no extase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.

Antologia Poética. Vinicius de Moraes.

Um pouco de Vinicius...

Versinhos e fragmentos


De minha primeira publicação individual, Aprendiz. Feira do Livro de Porto Alegre, 2009.


Para as maçãs

A água escorre
por meu corpo
todas as manhãs...
Levando as dores,
os resquícios de amores
e deixando, no ar,
um perfume de flores
de maçãs...


Para a madrugada e um aniversário

Cuido teu sono
como cuido da Vida!
Minhas lágrimas caem,
límpidas e sem dor.
Porque teu sono
é a Paz do nosso Amor!


Ventos

Minha saudade é feito
esse minuano que sopra,
galopa,
uiva e tudo leva por diante...
Aqui, no andar desse vento frio,
saudosa de tua brisa, de teu mar,
a espera que esse vento
me leve, de uma rajada,
encantada,
para o teu lugar...
De ventos que cantam para mim
no momento de te amar.


Fragmento de um Domingo...

Fazer o que, se deliro?
Fazer o que, se silencias?
Nada, absolutamente nada...
Sejamos apenas o que somos:
poetas dos silêncios e delírios...



Fragmento de uma Poesia derramada pelos ares...

Os poetas, mesmo aprendizes,
amor, deliram!
E quando os poetas deliram,
ora viva!
Delira a Poesia,
Delira o Amor,
Delira a Vida,
Deliram os Céus e os Infernos...






terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Não espera!

Não espera!
Pra que aconteça
o que a vida nos dá,
de graça,
pra não ser sem graça...

Não espera!
Quem espera não alcança
o galho da árvore
para beijar a flor...

A abelha chega antes,
beija, colhe
e faz o mel...
O mel...
O mel...

José Marti


Um trecho do Prefácio de Versos Singelos

"A poesia é perdurável quando é obra de todos. Tanto são autores dela os que a compreendem, como os que a fazem. Para sacudir todos os corações com as vibrações do próprio coração, é preciso ter os germes e a inspiração da humanidade. Para andar entre as multidões, de cujos sofrimentos e alegrias quer fazer-se intérprete, o poeta há de ouvir todos os suspiros, presenciar todas as agonias, sentir todos os prazeres e inspirar-se nas paixões comuns a todos. Principalmente é preciso viver entre os que sofrem. Por maior que seja o poeta, antes que possa encontrar os sons vigorosos que alentam os corações, anunciam os grandes acontecimentos e os imortalizam, forçoso é que o povo goze, bendiga, maldiga, espere e condene. Sem estas condições, o poeta é planta tropical em clima frio. Não pode florescer.

("Jóias verdadeiras e falsas da poesia espanhola - a influência de uma época de progresso")

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Madrugada...

Uma madrugada de sonhos...
sem sono.

Uma madrugada de recuerdos...
sem medo.

Uma madrugada de saudades...
sem alardes.

Uma madrugada...

Ah, uma madrugada...
acarenciada,
iluminada,
a sorrir
para o dia
que há de vir...

Com olhar molhado
de orvalho...

Com amorosas mãos
a acariciar...

Com pés descalços,
sem laços...

Uma madrugada...

De bocas entreabertas
para o beijo...

De corpos
puro desejo...

De almas despertas, alertas,
a sorrir
para o dia que chega
com essa madrugada!

De sonhos,
recuerdos
e saudades.
Acarenciada
e iluminada...

Por uma lua cheia
que torna mais leve
essa nossa caminhada...

Uma desatinada
madrugada....




Uma carta

Pequena, singela mas intensa na vontade de que ela chegue em momento de fazer um bem...
Tenho em mim, desde que escrevi pela vez primeira, em resposta a também vez primeira que recebi a mais linda carta de amor de minha vida (pelo menos até hoje) que escrever uma carta, um bilhete que seja, derramando nela nossos sentimentos, chegamos ao nosso destinatário em dois momentos: aquele em que estamos a escrever e quando os escritos nossos são recebidos... de preferência, em sorrisos...
Uma carta contém vida! E a faz por merecer!
Quando a compomos somos razão e emoção, corpo e alma... riscamos os céus como pássaros, bebemos água da fonte com as mãos em concha, cantamos em silêncio, atravessamos pórticos, abrimos cancelas, refletimos sobre nossas vidas, nossas querências, nossos sonhos...
Em nós brilha a luz da madrugada que se espreguiça e se expressa, carinhosamente, nos trazendo os primeiros raios de sol... ou mesmo nuvens a derramar lágrimas, a molhar a terra, a fertilizar o mundo...
Uma carta é algo fértil!!!
Uma carta é semente, é flor, é fruto... De novo, semente!
Uma carta é sempre um poema de amor...
Nela depositamos esperanças de ser leveza, levar a beleza, ser um bem, ter lembranças, ser criança...
Uma carta, amor, é a vida se refazendo...

Rubem Alves

Onde você guarda seus olhos...

Num domingo, em tempos de andar, fazer, construir, amar, compartilhar... busque no Google RUBENS ALVES ONDE VOCÊ GUARDA SEUS OLHOS. ´

Recomendação para todos e... de uma forma tão especial para os poetas da vida soltos por aí...

Beijos de luz e olhares de crianças...

E a poesia que, em novembro de 2010, nasceu em plena Feira do Livro...


DA SÉRIE JACARANDÁS...

"É novembro, de novo,
em Porto Alegre...
Caminhos violetas
e essa tristeza, esse desencanto...

Edifícios brotam da terra,
em vidro e cimento...
E eu só tenho olhos
para os jacarandás...

Carros nas ruas,
buzinas, barulhos, entulhos...
E eu só tenho ouvidos
para a algaravia das crianças...

Nas esquinas olhos tristes, famintos
e vazios suplicam por dez centavos...
(só 10 centavos, tia!!!).
E eu me encanto com o olhar de amor
de um casal de velhos de mãos dadas...

É novembro, de novo,
em Porto Alegre...
Caminhos violetas
e essa tristeza... esse desencanto...

Essa minha alma...

Ah, este tapete de jacarandás em flor
dos novembros em espera...
Quem sabe... caminho
para uma nova era, meu amor...

Porque é novembro, de novo,
em Porto Alegre...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Por hoje... só um pouco de meu poetar...

Menina

Quantos versos
invento,
reinvento
para a menina
que ainda existe
em mim...

Todo o dia
ela me aparece...
me oferta olhares,
beijos,
carinhos
e uma prece...

Fala pouco.
Diz do começo,
meio e fim.
Sei lá o que
essa menina
quer de mim...

Sei, isso sim,
cada vez que chega
é um lindo recomeço...

Nela, me reconheço!

E me ponho a esperar
a hora em que chegará
essa menina, meu avesso...

Brinca comigo, menina!
Esquece o tempo...
Traz contido a alegria,
a essência, o fecundo!

Dança comigo, menina!
Passos de bailarina...
De mãos dadas, entrelaçadas,
uma ciranda pro mundo!


Quintana, emociona e ensina....

Venho de uma geração que protagonizou, ao longo dos últimos 50 anos, instantes de luta e de magia, superação de tempos sombrios e belas conquistas acreditando, sempre, que os sonhos se refazem no fazer coletivo.

A poesia tem sido amiga, irmã, mãe, filha nessa caminhada...

Há um trecho de Mário Quintana que me emociona e ensina.

Compartilho...
"... com sensíveis movimentos da esperança e da vontade, buscar na linha do horizonte a árvore, a praia, a flor, a fonte, os beijos merecidos da verdade."

Compartilho porque creio que, com seus "beijos merecidos da verdade", Quintana nos ensina que ela, assim como a liberdade, só pode chegar de mãos dadas com novos tempos... porque a vida se renova... sempre e, quem sabe, hoje, seja um bom dia para comemorar a renovação...

Hoje, 2 de fevereiro, feriado em Porto Alegre, dia da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, Padroeira desse Porto dos Casais... Dia de Iemanjá, a Grande Mãe...

Sim, um belo dia!

Iniciar esse verso e prosa...

Iniciar...

Quem sabe com Nietzsche...

"A arte dever ser, antes de tudo e em primeiro lugar, embelezar a vida, portanto fazer com que nós próprios nos tornemos suportáveis e, se possível, agradáveis uns aos outros."

ou um pouco de mim...

"Deixem os revolucionários com sua emoção e os poetas com seus delírios... precisamos deles - a emoção e o delírio, os revolucionários e os poetas - para transmutar. "
Outubro de 2008, Porto Alegre.

ou Chico Xavier...

"A vida é construída em sonhos e concretizada no amor."