quinta-feira, 24 de março de 2011

Poema sem título...


Chegaste,
de novo,
em meu viver...

Estranho,
sempre nas horas
sem esperanças...

Aquieto-me,
para sorver
o agora e as lembranças...

Que mais te dizer?
Como não sei,
calo-me...

E deixo-te,
mais uma vez,
lágrimas e saudades...

E essa vontade
de te ver...
E te dar um beijo
tão devagar
que beire a eternidade!
.


Poeminha de Amor


Quisera ser um anjo
de longas e violetas asas!

Pousaria, assim, em tua alma...

Aquietaria, assim, teu coração...

Aplacaria, assim, tuas tantas saudades de mim...

Mario Quintana e o Amor


" Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor.
Estão dando corda ao relógio do mundo."


" A amizade é o amor que nunca morre."


" O amor é quando a gente mora um no outro."


" Amar é mudar a alma da casa."



sexta-feira, 11 de março de 2011

Quisera...


Quisera ser um anjo
de longas e violetas asas!

Pousaria, assim, em tua alma...

Aquietaria, assim, teu coração...

Aplacaria, assim,
tuas tantas saudades de mim...

terça-feira, 8 de março de 2011

Das horas do encontro

Eis que aumenta o desafio!
Fio, teia, espaço, cansaço,
diferença, desigualdade,
vela, chama, luz, lua,
ventre, vento, tempestade!
Eis que aumenta o desafio!
Guerreiras, amadas, odiadas,
despachadas, desaforadas, sacudidas,
desvairadas, enlouquecidas.
Eis que aumenta o desafio!
Chega! Deu! Morreu!
Romper amarras,
afiar as garras,
brilhar a alma,
empinar o corpo,
atilar a mente,
romper correntes,
fazer brotar do novo
do ventre do povo
como, dos nossos, brotam vidas,
paridas, alucinadas, maravilhadas.
Não mais sofridas!
Brotam pela esperança do amanhã,
moldado, forjado, transmutado.
Do amanhã de luas e sóis
entrelaçados,
respeitados na diferença,
igualados na crença,
na certeza, na afirmação e na beleza
de desmontar a opressão,
de ser mente e coração,
em unidade,
voando pra Liberdade!

Publicado em "Aprendiz", Feira do Livro de 2009.

Escrito num 8 de março... Agora não sei se do século passado ou deste... Quem sabe, tudo pode ser...Do século XIX???

Ainda valendo...

Neste 8 de março... terça feira de carnaval... beijos feministas, de folia e de luz!!!








sábado, 26 de fevereiro de 2011

Solidão... Saudade...


Nas areias de uma praia qualquer
de meu país
escrevi minha solidão...
Nas ruas, muros e calçadas
de uma cidade qualquer
de meu país
escrevo minha saudade.

A solidão dói.
A saudade, ah, essa constrói!
A solidão não me serve para companheira.
A saudade pode ficar comigo a vida inteira!

A solidão é para quem não tem ousadia.
A saudade, ah, essa é para quem
tem a coragem de morrer
para, depois, renascer.

Renascer para a vida
escrevendo, em areias,
o que, aos poucos, finda.
Mesmo que seja dor ainda...
E, em pedras, o que deva ficar
para fortalecer
toda a beleza
de qualquer bem querer...


Como disse meu camarada e amigo Rafael Simões (Rafa UNE) essa poesia é a cara de todos nós que, muitas vezes, longe dos pagos e de nossas familias, andamos nesse Brasil de nossas vidas nas lutas cotidianas por um novo mundo.

E foi lindamente musicada e interpretada por Marquinho, camarada novo, ainda não conhecido pessoalmente, lá de Palmares, em Pernambuco.

Poesia mundana essa!!! Que bom!!! Se gostamos de escrever, se as palavras, os versos, as prosas, brotam de sentimentos, de vivências, de aprendizados, de convivências, das relações humanas, do amor, que se joguem na vida! Vão para o mundo!!! Sejam interpretadas nos corações e nas musicas por todos que tem a sensibilidade de amar a arte, como se bebessem água da fonte com a concha de suas mãos.







.

Índia Missioneira


Poema que faz parte do CD e da Publicação "Sepé Tiaraju e o Povo Guarani presente na memória do povo".

Projeto 250 anos dos Sete Povos das Missões. Realização da Fundação de Desenvolvimento, Edu-
cação e Pesquisa da Região Celeiro (FUNDEF). Escola Uma Terra para Educar. RS.

Publicado no livro Aprendiz, Feira do Livro de 2009. Porto Alegre.

Este poema é dedicado às mulheres, de todas as tribos do mundo que, lado a lado com seus homens, tecem uma nova sociedade, de iguais, solidária, socialista, honrando a história de nossos guaranis e de todos os nossos ancestrais.


Quem é aquela mulher,
com a cria nas costas andando,
por esses pagos vagando,
anônima mas não vencida
pelas armas e feridas
dos dominadores de então
que, como os de todo o tempo,
vêm impondo a escravidão?

Aquela mulher é Juçara,
amada do índio Sepé,
cujo brado ainda se ouve
nas bandas do Caiboaté.
E, assim como suas iguais,
irmãs de todas as tribos,
conhecedora da dores
trazidas por inimigos.

Irmãs amantes das matas,
da terra e suas flores,
transbordantes de amores
por seus homens guerrilheiros
- bravos e heróicos companheiros -
na busca da liberdade,
a quem quiseram impor
uma injusta sociedade.

Irmãs rebeldes, guerreiras,
em defesa de seu povo,
se quedam em nossa memória,
construindo a trajetória,
na busca de um mundo novo,
liberto de todo o abandono,
onde retumbe o grito
de que "Esta terra tem dono!"

Quem é aquela mulher,
com seu corpo tão pequeno,
de olhos vivos, serenos,
pela estrada vigilante,
levando a luta adiante
pela Paz não alcançada,
tecedeira de sonhos,
no entardecer, na madrugada?

É Juçara, mãe-mulher,
alma libertária,
indígena,
negra, branca,
camponesa,
operária.

A germinar no continente
latino-americano, mestiço
- pleno de luta e feitiço -
como elos de um cordão
nossas crioulas sementes
do forjar de uma Nação.

Fazendo o nosso sonho
realidade se tornar,
pelo legado de lutas,
da experiência missioneira,
no raiar de um novo tempo
nesta pátria brasileira!

Publicação inspirada na ida ao Salto do Iucumã, Parque do Turvo, na cidade de Derrubadas, nas barrancas do Rio Uruguai, no dia 25.02.2011.